Quando o Senhor instrui a seus Apóstolos
em muitas coisas e eles recebem de seus lábios e de sua vida o Evangelho, os dá
uma missão concreta: a de ir pregar a Boa Nova, pois isto teria sido o motivo
de sua eleição (Jo 15,16); os ‘escolheu para tê-los consigo e enviá-los a
pregar’ (Mc 3,13-14; Rm 10,15). Começa a enviá-los primeiro ‘as ovelhas
perdidas da casa de Israel’ (Mt 10,6), preparando-os para a grande missão que
virá depois (Mt 28,19-20; Mc 16,15), que se estenderá a todo mundo, dado que o
Evangelho está destinado a todos os homens. Os Senhor os envia com plenos
poderes como os seus (Mt 10,15; Mc 6,7; Lc 9,1), e são eles os representantes
pessoais de Cristo nas primeiras missões apostólicas (Mt 10, 10-11; Lc 10, 16).
Ainda que o mandato de pregar como tal não é exclusivo do Doze, pois Cristo
enviou também a outros setenta e dois – que não recebem o nome de Apóstolos -,
a missão de pregar dirigida aos Apóstolos está bem definida e é única entre os
demais, porque receberam uns ensinamentos através de uma instrução mais
profunda: são os testemunhos autênticos e diretos das palavras e das obras do
Messias.
Os apóstolos são enviados por Cristo
como Ele foi enviado pelo Pai: ‘assim também eu os enviei’ (Jo 17,18). Este
paralelismo entre Cristo e seus Apóstolos ficava bem expresso no primeiro
esquema do Concílio com a citação de um texto clássico de São Clemente de Roma:
‘Os Apóstolos nos pregaram o Evangelho da parte do Senhor Jesus Cristo; Jesus
Cristo foi enviado de Deus. Em resumo, Cristo da parte de Deus e os Apóstolos
da parte de Cristo: uma e outra coisa, portanto, sucederam ordenadamente em
cumprimento da vontade de Deus’. Os Apóstolos , então, foram enviados a
pregar não palavras humanas senão a verdadeira Palavra (1Ts 2,13).
O Concílio apresenta a ideia da missão
nestes termos: ‘Cristo Senhor deu aos Apóstolos o mandato de pregar o Evangelho
a todos os homens (n.7), acentuando que Deus benignamente se revelou para
promover a salvação aos homens competindo a estes serem íntegros na transmissão
da revelação.
Assim, o mandato da missão apostólica
responde a necessidade em transmitir o Evangelho por uma disposição eterna de
Deus. Acentua-se, por sua vez, a verticalidade das missões Deus
Pai-Cristo-Apóstolos e o caráter sobrenatural do ofício apostólico. Nos parece
que desta forma aquilo que poderia parecer no n.7 da Dei Verbum um mandato da
missão dada por Cristo, um fato isolado extraído dos Evangelhos (Mt 28,19-20;
Mc 16,15), se situa na Constituição dentro de uma perspectiva bem ampla, pois
os Apóstolos exerceram sua missão por um decreto eterno do Pai que logo Cristo
os fez explícito.
Trata-se de um desígnio que existe no
seio da Trindade, mantido e impulsionado por Deus desde que se revelou aos
homens pela primeira vez; logo continuou seu desenvolvimento no marco da
história da salvação, atualizando-se, pelos séculos na boca dos Patriarcas e
dos Profetas. Agora os apóstolos se situam nesta mesma linha, enviados a pregar
e cooperar para que a Revelação permaneça íntegra e incólume. Esta perspectiva
é ressaltada perfeitamente nos seis números anteriores no n.7 da Dei Verbum.
Fonte: GARGOLLO, R. A.; LOS APÓSTOLES, TRANSMISORES
DE LA REVELACIÓN (Historia del texto y estudio crítico del número 7 de la
Constitución Dogmática «Dei Verbum» del Concilio Vaticano II) Extracto de la
Tesis Doctoral presentada en la Facultad de Teología de la Universidad de
Navarra, in: REV - Excerpta e
dissertationibus in Sacra Theologia - Vol. 14 (1988), p. 343-345.
http://dspace.unav.es/dspace/handle/10171/11411
Tradução: Roberto Marcelo da Silva
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