quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A missão apostólica a partir da Dei Verbum



Quando o Senhor instrui a seus Apóstolos em muitas coisas e eles recebem de seus lábios e de sua vida o Evangelho, os dá uma missão concreta: a de ir pregar a Boa Nova, pois isto teria sido o motivo de sua eleição (Jo 15,16); os ‘escolheu para tê-los consigo e enviá-los a pregar’ (Mc 3,13-14; Rm 10,15). Começa a enviá-los primeiro ‘as ovelhas perdidas da casa de Israel’ (Mt 10,6), preparando-os para a grande missão que virá depois (Mt 28,19-20; Mc 16,15), que se estenderá a todo mundo, dado que o Evangelho está destinado a todos os homens. Os Senhor os envia com plenos poderes como os seus (Mt 10,15; Mc 6,7; Lc 9,1), e são eles os representantes pessoais de Cristo nas primeiras missões apostólicas (Mt 10, 10-11; Lc 10, 16). Ainda que o mandato de pregar como tal não é exclusivo do Doze, pois Cristo enviou também a outros setenta e dois – que não recebem o nome de Apóstolos -, a missão de pregar dirigida aos Apóstolos está bem definida e é única entre os demais, porque receberam uns ensinamentos através de uma instrução mais profunda: são os testemunhos autênticos e diretos das palavras e das obras do Messias.

Os apóstolos são enviados por Cristo como Ele foi enviado pelo Pai: ‘assim também eu os enviei’ (Jo 17,18). Este paralelismo entre Cristo e seus Apóstolos ficava bem expresso no primeiro esquema do Concílio com a citação de um texto clássico de São Clemente de Roma: ‘Os Apóstolos nos pregaram o Evangelho da parte do Senhor Jesus Cristo; Jesus Cristo foi enviado de Deus. Em resumo, Cristo da parte de Deus e os Apóstolos da parte de Cristo: uma e outra coisa, portanto, sucederam ordenadamente em cumprimento da vontade de Deus’. Os Apóstolos , então, foram enviados a pregar não palavras humanas senão a verdadeira Palavra (1Ts 2,13).

O Concílio apresenta a ideia da missão nestes termos: ‘Cristo Senhor deu aos Apóstolos o mandato de pregar o Evangelho a todos os homens (n.7), acentuando que Deus benignamente se revelou para promover a salvação aos homens competindo a estes serem íntegros na transmissão da revelação.

Assim, o mandato da missão apostólica responde a necessidade em transmitir o Evangelho por uma disposição eterna de Deus. Acentua-se, por sua vez, a verticalidade das missões Deus Pai-Cristo-Apóstolos e o caráter sobrenatural do ofício apostólico. Nos parece que desta forma aquilo que poderia parecer no n.7 da Dei Verbum um mandato da missão dada por Cristo, um fato isolado extraído dos Evangelhos (Mt 28,19-20; Mc 16,15), se situa na Constituição dentro de uma perspectiva bem ampla, pois os Apóstolos exerceram sua missão por um decreto eterno do Pai que logo Cristo os fez explícito.
Trata-se de um desígnio que existe no seio da Trindade, mantido e impulsionado por Deus desde que se revelou aos homens pela primeira vez; logo continuou seu desenvolvimento no marco da história da salvação, atualizando-se, pelos séculos na boca dos Patriarcas e dos Profetas. Agora os apóstolos se situam nesta mesma linha, enviados a pregar e cooperar para que a Revelação permaneça íntegra e incólume. Esta perspectiva é ressaltada perfeitamente nos seis números anteriores no n.7 da Dei Verbum.

Fonte: GARGOLLO, R. A.; LOS APÓSTOLES, TRANSMISORES DE LA REVELACIÓN (Historia del texto y estudio crítico del número 7 de la Constitución Dogmática «Dei Verbum» del Concilio Vaticano II) Extracto de la Tesis Doctoral presentada en la Facultad de Teología de la Universidad de Navarra, in: REV - Excerpta e dissertationibus in Sacra Theologia - Vol. 14 (1988), p. 343-345.

http://dspace.unav.es/dspace/handle/10171/11411

Tradução: Roberto Marcelo da Silva

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